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A VERDADE SOBRE OS DÍZIMOS

(estudo retirado do blog http://jesusmaioramor.blogspot.com)

OBSERVAÇÃO: Sugerimos aos amados em Cristo, a ler o texto até o fim, preferencialmente acompanhado da sua bíblia, para que tenham fundamento bíblico para formar uma opinião.


O que é dízimo? Imediatamente você poderá imaginar: Dez por cento dos meus rendimentos para os cofres da igreja. Mas, será que Deus ainda exige que pratiquemos alguma ordenança da lei do Antigo Testamento (da qual foi instituído o dízimo), mesmo depois do sacrifício do Senhor Jesus para remir o homem do pecado? Vamos conhecer a verdade que envolve esse MITO chamado dízimo, o qual está sendo levado aos fieis de forma desvirtuada, por muitos pregadores.

Por que então os pregadores pedem dízimo? A confusão começa por aí, porque na lei de Moisés, a qual foi por Cristo abolida (Hebreus 7.12,18,19), o dízimo nunca foi dinheiro para os cofres das igrejas.
Os dízimos aos levitas eram dez por cento das colheitas dos grãos, dos frutos das árvores e da procriação de animais que nasciam no campo em um determinado período. Resumindo: O dízimo era alimento destinado a suprir as necessidades dos levitas que não tinham parte nem herança na terra prometida. Vejamos:
Deuteronômio 14.24-27: E quando o lugar que escolher o Senhor teu Deus para fazer habitar o seu nome, for tão longe que não os possa levar, vende-os e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o Senhor teu Deus e compre tudo o que a tua alma desejar, e come ali perante o Senhor teu Deus, e alegre tu e tua casa. Porem, não desamparará ao levita que está dentro das tuas portas e não tem parte e nem herança contigo.
Considere a profundidade do texto bíblico onde o Senhor evidencia que, se o lugar que escolheu o Senhor teu Deus, para levar o seu dízimo, for tão longe que não os possa levar, Ele instruiu, que o seu dízimo deveria ser vendido, e o dinheiro atado na tua mão, (observe que não é na mão de nenhuma outra pessoa), ir ao lugar que escolheu o Senhor, e comprar o que a tua alma desejar, para ali fazer habitar o nome do Senhor Deus.
Portando amados, se o dízimo fosse dinheiro, o Senhor não iria mandar vender o que já era espécie.
O dízimo na lei de Moisés nunca foi oferecido da forma como está sendo feito hoje, porque odízimo foi destinado para suprir as necessidades dos levitas, mas hoje, não há mais a personagem representativa do levita entre nós.
Porem, alguém poderá apontar para Malaquias 3.10 tentando justificar que fora ordenado aodízimo, ser levado para casa do tesouro. No entanto se meditarmos nos livros de II Crônicas 31.5-12 e Neemias 12.44-47 vamos entender melhor o porquê Malaquias mandou levar o dízimo a casa do tesouro. Disse o Senhor: Para que haja mantimento na minha casa. E o que é mantimento?
Aquilo que mantém, provisão, sustento, comida, dispêndio, gênero alimentício, etc. Leia o estudoA REVELAÇÃO DO CAPÍTULO 3 DE MALAQUIAS para discernimento espiritual sobre a Palavra do Senhor texto.
Ainda em II Crônicas 31.13-19, a lei menciona que o dízimo era partilhado às comunidades dos levitas que trabalhavam nas tendas das congregações, segundo o ministério que cada um recebera do Senhor.
Hoje o dízimo está sendo direcionado para o líder ou para o dono da igreja, como também a cúpula de organizações religiosas, onde ninguém mais sabe a que fim se destina esse montante. Enfim, o dízimo não foi criado para assalariar o dirigente da igreja ou para prover as despesas pessoais desses, nem tão pouco para realizar obras missionárias ou para construir templos.
OS DÍZIMOS ANTES DA LEI
O DÍZIMO DE ABRAÃO - Gênesis 14.18-20: Abraão deu o dízimo dos despojos da guerra ao Rei Melquisedeque, sacerdote do Deus altíssimo, e foi por ele abençoado.
O DÍZIMO DE JACÓ - Gênesis 28.20-22: Jacó fez um voto ao Senhor, prometendo dizimar tudo quanto ganhasse, se em sua jornada fosse por Ele protegido e abençoado.
Em ambos acontecimentos, não há registro na palavra que tenha havido ordenanças para que sedizimassem. Especificamente nesses casos, os dízimos foram oferecidos de forma voluntária, espontânea, ou por voto, em retribuição e agradecimento, honra e glória ao Senhor Deus, pelas bênçãos recebidas e pelas vitórias conquistadas.
Assim sendo, hoje não se pode tomar como exemplo os dízimos de Abraão e Jacó, como fundamento para implantá-los como regra geral de doutrina na igreja, com o propósito de receber bênçãos e salvação, em nome de uma lei que fora por Cristo abolida.
O DÍZIMO PELA LEI
Números 18.21-26: O pagamento do dízimo foi ordenado pela lei do Antigo Testamento, e tinha caráter de caridade, pois a sua principal finalidade era suprir as necessidades dos Levitas que não tinham parte nem herança na terra prometida, e também dos estrangeiros, órfãos e viúvas.
Deuteronômio 14.29: Então virá o levita (pois nem parte nem herança têm contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos que fizeres.
Está na palavra, o dízimo foi criado por Deus, com a finalidade exclusiva de caridade aos necessitados, hoje é empregado para outros fins, diverso daquele que o Senhor ordenou.
Mas, ainda que os dirigentes das igrejas revertessem todo tributo dos dízimos e ofertas em obras sociais, ainda não estavam em conformidade com a palavra do Senhor, pois alem do dízimo ter sido abolido (Hebreus 7.5-12), a caridade ou amor ao próximo, é algo muito profundo, é individual e intransferível, é uma obra entre você e o Senhor teu Deus (Mateus 6.1-4).
Outro detalhe interessante que precisamos conhecer, quando o dízimo foi instituído pela lei (Números 18.20 a 24) com a finalidade de manter os filhos de Levi que administravam o ministério nas tendas das congregações, os quais não receberam parte nem herança na terra prometida, (Números 18.24”b”), o Senhor declarou que os filhos de Levi não teriam nenhuma herança no meio dos filhos de Israel.
Como também fora ordenado as demais tribos de Israel, que dizimassem aos Levitas, o necessário para a manutenção cotidiana, porque não possuíam nenhuma herdade. Hoje, a situação está a revés da Palavra, os trabalhadores, a maioria deles assalariados, ofertam o dízimo para os que vivem sem trabalhar, e em abundância de bens.
O DÍZIMO NO EVANGELHO DE CRISTO
No Evangelho de Marcos 16. 15, 16, disse Jesus: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado, será salvo, mas quem não crer será condenado.
Observem que o Senhor Jesus mandou pregar o Evangelho, para que crendo, recebamos a salvação (I Coríntios 15.1, 2). Esse foi o propósito do Senhor ao oferecer o seu sangue em sacrifício vivo. E onde está a ordenança para o dízimo, senão no Antigo Testamento? Porque então o homem persiste em pregar e manter as ordenanças da lei, as quais foram por Cristo, abolidas? Pregar a velha aliança é exumar uma lei sucumbida e mutilar o Evangelho de Cristo, sobrecarregando as ovelhas do pesado fardo que Cristo levou sobre si.
No Evangelho de Cristo Ele nos ensina fazer caridade, nos ensina a orar, a jejuar (Mateus 6.1 a 18), e uma infinidade de outros ensinamentos, porém nas duas únicas vezes que Ele referiu-se aosdízimos, foi com censura. Vejamos:
Mateus 23.23 – Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé;deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas.
Alguém poderá considerar que Jesus ordenou que se dizimássemos, porque Ele disse: Deveis fazer estas coisas. Vamos buscar o entendimento espiritual na palavra do Mestre:
Jesus era um judeu, nascido sob a lei (Gálatas 4.4). Portanto, viveu Jesus na tutela da lei de Moisés, reconhecendo-a, e disse dessa forma, pela responsabilidade de cumprir a lei. Vejamos:
Mateus 5.17,18: Disse Jesus: Não cuideis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para cumpri-la, e, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
E verdadeiramente Ele cumpriu a lei. Foi circuncidado aos oito dias, foi apresentado na sinagoga (Lucas 2. 21-24), assumiu o seu sacerdócio aos trinta anos (Lucas 3.23, Números 4.43, 47), curou o leproso e depois o mandou apresentar ao Sacerdote a oferta que Moisés ordenou (Mateus 8.4, Levíticos 14.1...), e cumpriu outras formalidades cerimoniais da lei.
Porém, quando Cristo rendeu o seu espírito a Deus (Mateus 27.50,51), o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, então passamos a viver pela graça do Senhor Jesus, encerrando-se ali, toda ordenança da lei de Moisés, sendo introduzido o Novo Testamento, o Evangelho da salvação do Senhor Jesus Cristo.
O que precisamos entender de vez por todas, que Cristo não veio a ensinar os Judeus a viverem bem a Velha Aliança, Ele disse: Um novo mandamento vos dou (João 13.34)e, se a justiça provem da lei, segue-se que Cristo morreu em vão (Gálatas 2.21).
Em Mateus 5.20 disse Jesus: Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.
Observem que o Senhor Jesus Cristo mandou justamente os escribas e fariseus (os quais o Senhor sempre os tratava por hipócritas, falsos) que cumprissem a lei de Moisés, lei que ordenava odízimo. Nós porém, para herdarmos o reino dos céus, não podemos de forma alguma voltar no ritual da lei Mosaica como faziam os escribas e fariseus, com hipocrisia, mas precisamos exceder essa lei, a qual foi por Cristo abolida. O amor, a graça e a paz do Senhor Jesus excede a lei de Moisés e todo entendimento humano.
A Segunda vez que o Senhor Jesus referiu-se ao dízimo, foi na Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18.9 a 14) e outra vez censurou os dizimistas. Tomou como exemplo um homem religioso, que jejuava duas vezes por semana e dizia ser dizimista fiel, porém, exaltava a si mesmo e humilhava um pecador que suplicava a misericórdia do Senhor.
Isso acontece hoje exatamente da mesma forma, muitos ainda exaltam-se dizendo: “Eu sou dizimista fiel”, mas nesta narrativa alegórica, o Senhor Jesus Cristo exemplificou que no Evangelho não há galardão para os dizimistas fieis, ao contrário, Jesus sempre os censurou.
A ABOLIÇÃO DOS DÍZIMOS
Hebreus 7.5: E os que dentre os filhos de Levi receberam o sacerdócio tem ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.
Observe, a palavra afirma que Moisés deu uma lei ao seu povo, a qual é direcionada aos filhos de Levi, especificamente aos que receberam sacerdócio para trabalhar nas tendas das congregações, os quais têm ordem segundo a lei de receber os dízimos dos seus irmãos. Agora note o relato do versículo 11:
Hebreus 7.11: De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio Levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade se havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque (referindo-se a Jesus Cristo) e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? (menção a Moisés, o qual introduziu a lei ao povo).
Hebreus 7.12: Porque mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança na lei.
Meditando no texto acima, especificamente nestes versículos, onde a palavra do Senhor assegura que os sacerdotes Levíticos recebiam os dízimos segundo a lei (Hebreus 7.5), Porque através deles (sacerdotes Levíticos) o povo recebeu a lei (Hebreus 7.11) e mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também, mudança na lei (Hebreus 7.12), porque se a perfeição fosse pelo sacerdócio Levítico (pelo qual o povo recebeu a lei), qual a necessidade do Senhor enviar outro Sacerdote? A palavra não deixa sombra de dúvida que não só o dízimo, mas toda a lei de Moisés foi por Cristo abolida. Mudou o Sacerdócio, necessariamente se faz mudança na Lei.
Se hoje, usarmos essa lei que fora direcionada especificamente aos filhos de Levi, aos que receberam o sacerdócio do Senhor Deus e aplicada ao povo, ela torna-se ilegítima, porque os “pastores” de hoje não são sacerdotes levitas, e Jesus afirmou que a lei e os profetas duraram até João (Lucas 16.16), e mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz mudança na lei (Hebreus 7.12).
Portanto, apenas esses três versículos (5,11,12) do capítulo 7 da carta aos Hebreus, seria suficiente para entendermos a abolição de toda lei, e não falarmos mais em obras mortas como dízimona era da Graça do Senhor Jesus.
AQUI TOMAM DÍZIMOS HOMENS QUE MORREM
A nossa maior preocupação em relação aos pregadores que tomam o dízimo dos fieis, vem incidir sobre o versículo 8 do Capítulo 7 da Carta aos Hebreus, observem o porquê:
Hebreus 7.8: Aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive.
Toda cautela no que diz a palavra: Aqui tomam dízimos homens que morrem, ali aquele que se testifica que vive (alusão ao Rei Melquisedeque).
No Evangelho de Mateus 22.32, disse Jesus que Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. O Senhor Jesus Cristo afirma que Deus, é Deus dos vivos e não é Deus dos mortos, e a palavra diz que aqui tomam dízimo homens que morrem, no que está legitimado no Evangelho de João 11.26,onde disse Jesus: Todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Essa afirmativa do Senhor é mais uma evidência que nos faz entender que, os que tomam o dízimo não crêem em Jesus, porque a palavra está dizendo que morrem os que assim procedem, tomando o dízimo do povo, voltam a viver as ordenanças da lei de Moisés que fora por Cristo abolida.
Diante da Palavra de Deus, até onde recebemos entendimento, dar e receber dízimo é obra morta, ou seja, obra da justiça da Lei do Velho Testamento.
Crer e viver por essa prática é estar sem a graça de Deus, pois assim explica a Bíblia. Estar sem a graça de Deus, é estar morto.
Certamente que, sem Cristo e, cumprindo e se justificando pela lei, qualquer homem ainda não tem a vida eterna, tanto o que dá e, também, o que recebe o dízimo. Pois a palavra afirma que nenhuma alma será justificada diante d’Ele pelas obras da lei (Romanos 3.20,28 – Gálatas 2.16).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Evangelho de Cristo, não há ordenança para se tomar o dízimo ou para se cumprir qualquer outro rito da lei. Jesus nos deu um Novo Mandamento, mandou pregar o seu Evangelho, ordenou amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, isto é, com caridade, e não estipulou percentual ou limite. Em Mateus 10.42 o Senhor mandou dar pelo menos um copo de água fria. Para o mancebo rico Ele mandou vender tudo e dar aos pobres (Mateus 19.21); e quando Zaqueu lhe disse que daria até a metade de seus bens aos pobres, Ele não confirmou a necessidade desse procedimento (Lucas 19.8, 9), disse apenas: Zaqueu, hoje veio salvação a esta casa.
Muitos saem em defesa do dízimo afirmando: Mas o Dízimo é bíblico (Número 18.21 a 26). Certamente, como também é bíblico: A circuncisão (Gênesis 17.23 a 27), o sacrifício de animais em holocausto (Levíticos Capítulos do 1 até 6.8-13), a santificação do sábado (Levíticos 23.3), o apedrejar adúlteros (Levíticos 20.10 e Deuteronômio 22.22), etc. É bíblico, mas pela ordenança da lei que Moisés introduziu ao povo.
Então porque hoje não cumprem a lei na sua totalidade, ao invés de optarem exclusivamente pelo dízimo? Querem o dízimo porque é a garantia de renda líquida e certa todos os meses nos cofres das igrejas.
O que também é bíblico, e o homem ainda não se conscientizou, é uma grande divisão existente na Palavra, separando a Velha Aliança do Novo Mandamento do Senhor Jesus; o qual testifica a doutrina para salvação (I Coríntios 15.1, 2). Porém hoje, qualquer esforço para voltar a lei de Moisés que Cristo desfez na cruz, é anular o sacrifício do cordeiro de Deus e reconstruir o muro por Ele derrubado (Efésios 2.13 a 15).
Apocalipse 5.9: Porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de todas as tribos, e línguas, e povos, e nações.
Portanto irmãos, o preço pela nossa salvação, o Senhor Jesus Cristo já pagou o mais alto preço, com o seu sangue inocente na Cruz. O Senhor ainda alerta: Fostes comprados por bom preço, não vos façais servos de homens (I Coríntios 7.23).
O dízimo hoje é remanescente por razões óbvias: Primeiramente, pela contribuição dos que arcam com essa pesada carga tributária.
Outra presunção vem por parte dos que são beneficiados pelos dízimos, esses incorrem no erro pela ausência de entendimento espiritual da palavra de Deus não diferenciando a lei de Moisés feita de ordenanças simbólicas e rituais, com a Graça e a verdade do Senhor Jesus Cristo, ou mesmo consciente da abolição dessa prática, assumem o risco dolosamente na desobediência à palavra do Senhor.
Porem, seja por uma ou por outra razão, o homem querendo ou não, aceitando ou não, o dízimo, como toda a lei cerimonial do Antigo Testamento, foi por Cristo abolida pela aspersão do seu sangue na cruz do Calvário: (Lucas 16.16, Romanos 10.4, Efésios 2.15, II Coríntios 3.14, Hebreus 7.12,18, 19).
Gálatas 5.14: Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amaras ao teu próximo com a ti mesmo.

O dízimo na Bíblia

DEFINIÇÃO

Dízimo: O povo de Israel tinha que destinar ao culto e à manutenção dos sacerdotes e levitas a décima parte de certos frutos e animais (Deuteronômio 14,22; Levítico 27,32). Era um verdadeiro imposto religioso que deveria ser dado uma vez por ano (Deuteronômio 14,22). Os fariseus levaram esta prática do dízimo religioso ao exagero mais ridículo, dando a décima parte das coisas mais diminutas e de valor insignificante, tais como a menta, o endro e o cominho, esquecendo-se, porém, da humildade, da justiça, da misericórdia, da fé e do amor, o que era um grave equívoco (Mateus 23,23; Lucas 11,42; 18,12).

Abramos as Sagradas Escrituras para examinar detidamente tudo o que se relaciona ao dízimo, se os cristãos devem praticá-lo (e, neste caso, como devem praticar), se realmente nos traz bênçãos ao dá-lo etc. Talvez nos assombremos com muitos detalhes que desconhecíamos, mas a Palavra de Deus nos ensinará.

O DÍZIMO NAS SAGRADAS ESCRITURAS

O dízimo não é uma lei destinada à Igreja, mas ao Povo de Israel, pois pertence à Lei, sendo que a Igreja se encontra sob a graça.


"Pois o pecado não terá domínio sobre vós, porque não estais debaixo da Lei, mas debaixo da graça" (Romanos 6,14; cfr. Romanos 3,19; 2Coríntios 3,2-11; Gálatas 3,19; Efésios 2,11-15; Atos 7,11-12).


O cristão não deve estar a serviço do mal (o pecado), mas a serviço do bem, "porque não estais debaixo da Lei, mas debaixo da graça". Vemos muito claramente como se contrapõe - e o mesmo em outras passagens - a Lei e a graça. Porém há uma aplicação terrível: o que pertence à Lei é o mal, o pecado; o que pertence à graça é o bem.

Deus pediu que a tribo de Levi fosse sustentada com 10% dos frutos do Povo de Israel, para que os sacerdotes levitas se dedicassem em tempo integral ao serviço do tabernáculo; e isto deveriam fazer a partir dos 25 anos até completar os 50, quando então deviam se aposentar (Números 8,24-25).

Deus, para evitar a corrupção dentro do Povo de Israel, ordenou que o dízimo sempre fosse dado em produtos: trigo, vinho, azeite, animais etc., os quais eram guardados no "alfolí", que era um lugar que havia no templo e que servia de alojamento para armazenar os produtos gerados pelo dízimo.

Já existia dinheiro desde os tempos de Abraão. Ele comprou, com dinheiro, o terreno para o sepulcro de sua esposa. Os operários recebiam "um denário" por dia trabalhado. Nos tempos de Moisés vemos Deus dizer-lhe: "O salário do operário não ficará em teu poder até o dia seguinte" (Levítico 19,13).

A maioria dos operários trabalhavam para os donos das terras; estes donos é que davam o dízimo. O estranho é: por que não se diz na Bíblia que esses operários deveriam entregar mensalmente 3 denários por mês (que corresponderia ao dízimo devido segundo o conceito atual)?

É falso imaginar que agora é possível dar o dízimo em dinheiro ao invés de alimentos pelo fato daquele não ser manejado como na atualidade, sendo então mais natural a entrega de alimentos. Porém, no Gênese, se emprega a palavra "dinheiro" cerca de 44 vezes antes de se mencionar a palavra "dízimo" pela primeira vez em Levítico 27. Por exemplo: com dinheiro se compravam pessoas para torná-las escravas (Gênese 17,12), pagavam-se taxas do santuário (Êxodo 30,12-13) e impostos do censo (Números 3,47) etc. Quando já não se tinha dinheiro, então recorria-se à troca (Gênese 47,15-17).

Não existe, em toda a Bíblia, nenhum decreto, nenhum mandamento, nem sequer um só exemplo de alguma igreja recolhendo o dízimo ou de algum cristão pagando-o.

Muitos líderes cristãos afirmam e dizem: "O dízimo é bíblico porque é apontado muitas vezes na Bíblia". Isto é verdade, porém o que não dizem é que sempre é apontado para o Povo de Israel, nunca para a Igreja.


Levítico 27:
30. Todos os dízimos do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do Senhor; são santos ao Senhor.
31. Se alguém do seu dízimo resgatar alguma coisa, acrescentará sobre ele a sua quinta parte.
32. No tocante a todos os dízimos de vacas e ovelhas, de tudo o que passar debaixo da vara do pastor, o dízimo será santo ao Senhor.
33. Não esquadrinhará entre o bom e o ruim, nem o substituirá. Se de algum modo o substituir, ambos serão santos, e não podem ser resgatados.
34. São estes os mandamentos que o Senhor deu a Moisés, no monte Sinai, para os filhos de Israel.


Repetimos: os dízimos bíblicos foram estabelecidos para o Povo de Israel, não para a Igreja de Jesus Cristo.

Atualmente foram incluídos nos cultos [protestantes] preceitos da Lei que trazem algum benefício material, como o dízimo e a festa das primícias. Os evangélicos pentecostais não tiveram interesse em incluir em suas igrejas a Festa de Pentecostes porque nem esta, nem nenhuma outra das seis festas restantes mencionadas em Levítico 23, lhes propiciaria algum benefício econômico. Se lhes é perguntado: "Por que vocês não guardam a Festa de Pentecostes, ou a dos Tabernáculos, ou a Festa das Trombetas?", não duvidariam em responder: "Porque estas festas eram para o Povo de Israel". E quanto ao dízimo, então? A Festa das Primícias, como as outras seis festas do calendário judaico, são celebradas também apenas uma vez ao ano.

Alguns líderes tiram as passagens do contexto para infundir medo aos seus seguidores se não derem o dízimo. Por exemplo: "Vós tendes me roubado vossos dízimos" (Malaquias 3,8). Porém, omitem o restante da passagem. Analisemos o que diz esta passagem (leia, porém, todo o capítulo 3 de Malaquias):


Malaquias 3:
3. (...) aos filhos de Levi:
4. E as ofertas de Judá e de Jerusalém serão aceitáveis ao Senhor (...)
6. Eu, o Senhor, não mudo. Por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.
7. Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes. Tornai-vos para mim, e eu tornarei para vós, diz o Senhor dos Exércitos. Mas vós dizeis: em que havemos de tornar?
8. Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.
9. Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais, vós, a nação toda.
10. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos; se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.
11. Repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos.
12. Então todas as nações vos chamarão bem-aventurados, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos.
13. As vossas palavras foram agressivas para mim, diz o Senhor. Mas vós dizeis: Que temos falado contra ti?
14. Vós dizeis: Inútil é servir a Deus. O que nos aproveitou termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos Exércitos?


Os israelitas estavam sob a Lei de Moisés, da qual se tinha a regra de ouro: "fazer algo para receber algo em troca". A Igreja, porém, não está sob a Lei Mosaica, de modo que este "fazer algo para receber algo" não se aplica; ao contrário, só ofende a Deus.

No v. 6, Deus diz: "Eu, o Senhor, não mudo" e, portanto, muitos dizem que se Javé não muda, sua palavra também permanece para sempre e o que é dito aqui continua vigorando e é de aplicação universal. Porém, é claro que Deus não muda; Ele sempre cumpre a sua parte no trato, sua parte no pacto. Ao contrário, os israelitas sempre infringiram o trato, esse pacto que Deus sempre teve que renovar por causa deles. Nós sim mudamos, porque Ele nos muda quando nos convertemos e nos torna novas criaturas em Cristo; por isso, diz: "Eis que torno novas todas as coisas". Ademais, o v. 12 diz: "todas as nações vos chamarão bem-aventurados, porque vós sereis uma terra deleitosa" e a Igreja será perseguida e aborrecida neste mundo, nunca será uma terra deleitosa. Esta promessa e a obrigatoriedade do dízimo unicamente concerne ao Povo de Israel, de modo que não é universalmente obrigatório como muitos querem nos convencer.

No v. 7, os israelitas perguntam: "Em que havemos de tornar?", já que querem saber o que é que não estão cumprindo. E Deus responde que estão lhe roubando (v. 9), porque eles não estavam entregando o dízimo como deveriam, mas que o estavam retendo para eles, o que poderia ocasionar a não sustentação dos levitas. Ou seja: estavam se descuidando daqueles que Deus havia designado para trabalhar por seu povo, o que era contrário ao que Ele havia ordenado. Neste v. 8 muitos dizem que Deus fala dos "homens" para dizer que por isso se aplica a nós e não somente aos judeus; porém, cumpre esclarecer que o v. 6 diz que se dirige exclusivamente aos "filhos de Jacó", isto é, são a estes homens filhos de Jacó (Povo de Israel) a quem Deus se dirige. Não podemos, nem devemos distorcer as Escrituras.

No v. 10, Deus promete dar "bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança" ao Povo de Israel se, primeiramente, cumprirem a Lei: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos; se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança". Os israelitas estavam sob a Lei e deviam cumpri-la para que Deus os abençoasse; assim, os desafia a cumprir a Lei, para que Ele possa provar a sua fidelidade, sua parte do trato. Os judeus a quem se dirigia o profeta não confiavam em Deus; por isso, o Senhor os desafia a que o "provem". Portanto, esta passagem não possui valor para o cristão, já que estamos sob a graça. E não podemos e nem devemos provar a Deus; Ele não nos abençoará por cumprir uma parte da Lei. Não podemos também provar a Deus porque seria ofendê-lo, principalmente por ter-se dado totalmente por nós, dando-nos seu Filho: "Como não nos dará Ele todas as coisas?" (Romanos 8,32).

Agora, se você acredita que as bênçãos que Deus vai lhe dar por dizimar são espirituais, atente-se para o que Paulo disse: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo" (Efésios 1,3). A bênção que Deus promete ao Povo de Israel no v. 11 é, porém, material: "Repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos."

Malaquias 4,4 diz: "Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe mandei em Horeb para todo o Israel, os estatutos e os juízos". Insisto em mostrar que Paulo disse: "Para os que estão sem Lei, como se estivessem sem Lei (não estando sem Lei para com Deus, mas debaixo da Lei de Cristo), para ganhar os que estão sem Lei" (1Coríntios 9,21) e não foi no Horeb, mas no Calvário onde Cristo nos libertou pela cruz da maldição da Lei. Muitos dizem que o "Lembrai-vos da Lei de Moisés" significa não esquecê-la, que Jesus não veio para revogar a Lei, mas para cumprí-la, e que Ele disse que não passaria nem sequer um til da Lei. Porém, isto é uma meia-verdade, porque nós não poderíamos cumprir nada; foi Ele quem cumpriu a Lei por nós, porque o objetivo da Lei era Cristo, como diz Paulo, e Cristo nos redimiu da maldição da Lei. Porque se você depende da Lei, diz Paulo: "Todos aqueles que são das obras da Lei estão debaixo da maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no Livro da Lei, para fazê-las" (Gálatas 3,10). Está sob maldição se não cumpre absolutamente toda a Lei, como diz Tiago: "Pois qualquer um que guardar toda a Lei, mas tropeçar em um só ponto, torna-se culpado de todos" (Tiago 2,10). Portanto, de nada adianta ser um dizimista fiel se não cumprir também os 613 preceitos da Lei.

Por fim, se o bem-estar econômico é conseqüência do dízimo (como muitos afirmam), por que não há evidência de que o Senhor Jesus Cristo pagara o dízimo? Por que Ele era pobre? Por que, se Ele era pobre, seus "servos" do século XXI deveriam ter contas bancárias, dois ou três automóveis, coisas luxuosas e muitas propriedades? Por que não há evidência bíblica de que Paulo, Pedro ou os demais Apóstolos pagaram o dízimo? Por que eles eram pobres? Por que, se eles não cumpriam a Lei, deveríamos nós cumpri-la? Não seria curioso que o Senhor Jesus, sendo pobre, tivesse deixado suas ovelhas ao cuidado de pessoas que tem se enriquecido com o Evangelho?

Disto, concluímos que o Autor Sagrado está se dirigindo àqueles que guardam a Lei: o Povo de Israel, não a Igreja. Em outras palavras: com esta passagem muitos líderes cristãos estão dizendo que se alguém não paga, não será salvo - o que não tem lógica!

Muitos utilizam até estórias que inventam sobre tragédias que se abateram sobre aqueles que não pagaram o dízimo ou dizem que os céus abrem muitas bênçãos para aqueles que o dão. Relacionam todo o bem e todo o mal que o ser humano passa nesta vida terrena diretamente ao dízimo. Mera superstição! As enfermidades fazem parte da nossa natureza humana, da mesma forma como os problemas que enfrentamos dia a dia. Deus não é um deus de interesse econônico, mas espiritual.

Se lermos Números 18,21-31, que diz em suma: "Eis que dei aos filhos de Levi todos os dízimos de Israel por herança, por seu ministério, porque eles servem no ministério da tenda da congregação...", veremos que o dízimo é um imposto criado para sustentar os levitas, centralizado no único santuário. Leia isto:


Neemias 10:
36. Como está escrito na Lei, traremos os primogênitos dos nossos filhos, e os do nosso gado, e os primogênitos das nossas manadas e dos nossos rebanhos à casa de nosso Deus, aos sacerdotes que ministram na casa do nosso Deus.
37. Além disso, traremos às câmaras da casa do nosso Deus, aos sacerdotes, as primícias da nossa massa, as nossas ofertas alçadas e o fruto de todas as nossas árvores, do nosso vinho e do nosso azeite; traremos o dízimo da nossa terra aos levitas, pois são eles que recebem os dízimos em todas as cidades onde trabalhamos.
38. Um sacerdote, filho de Arão, deve estar com os levitas quando estes receberem os dízimos, e os levitas devem trazer o dízimo dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro.
39. Àquelas câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas alçadas dos cereais, do vinho e do azeite, porque se encontram ali os utensílios do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os porteiros e os cantores. Não negligenciaremos a casa do nosso Deus.


E, em Neemias 12,44: "No mesmo dia foram nomeados homens sobre as câmaras dos tesouros para as ofertas alçadas, as primícias e os dízimos, para ajuntarem nelas, das cidades, as porções designadas pela Lei para os sacerdotes e para os levitas, pois Judá esta alegre com os sacerdotes e os levitas que ministravam ali".

As demais passagens da Bíblia - especificamente no Pentateuco, nos livros históricos, Amós e Malaquias - têm a ver com a instituição dos dízimos, sua restauração e não-cumprimento.

Outro dado curioso e que não é cumprido pelos que exigem o dízimo é que, por 2 anos, o dízimo devia ser levado ao tabernáculo, para ser guardado no alfolí; porém, no 3º ano, o dízimo correspondente a esse ano deveria ser entregue diretamente nas aldeias locais e colocado à disposição, não só dos levitas, mas também dos "estrangeiros, órfãos e viúvas":


"Ao fim de cada três anos porás de lado todos os dízimos da colheita do terceiro ano, e os recolherás na tua cidade, para que, vindo o levita, que não tem parte nem herança contigo, e o estrangeiro, o órfão e a viúva, que estiverem em tua cidade, comerão e se fartarão, e assim o Senhor teu Deus te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizeram" (Deuteronômio 14,28-29; 26,12-14).


Me atrevo a garantir em 100% que [essas pessoas que hoje exigem o dízimo] não cumprem [a ordem acima]. Repito: nenhuma das igrejas que exigem o dízimo cumprem essa ordem. Oferecer 10% do salário mensal não era costume de então, porém querer recalcar em nossos dias a antiga prática do dízimo não seria mal se essas igrejas compartilhassem o dízimo dado a seus ministros com os estrangeiros, os órfãos e as viúvas da população em geral. Ainda que fosse a cada três anos! Porém, devemos recordar que o Novo Testamento possui instruções de como as igrejas e os fiéis devem cuidar das viúvas e dos órfãos.

As referências sobre o dízimo em 1Samuel 8,15.17 dizem respeito a como o rei que Israel pede a Samuel entregaria o dízimo dos bens do povo. É uma passagem que não comentaremos por não vir ao caso.

Outro dado muito mais interessante é este:


Números 18:
20. Disse também o Senhor a Arão: Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio deles nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.
21. Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que exercem, o serviço da tenda da congregação.
22. Nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado, e morram.
23. Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação, e levarão sobre si a sua iniqüidade. Este será estatuto perpétuo pelas vossas gerações. No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
24. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecem a o Senhor em oferta alçada, dei-os por herança ao levitas, pois eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
25. Disse o Senhor a Moisés:
26. Também falarás aos levitas, e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que da parte deles vos dou como herança, deles trareis uma oferta ao Senhor, o dízimo dos dízimos.
27. Vossa oferta será considerada como grão de eira, e como plenitude do lagar.
28. Assim também trareis ao Senhor uma oferta de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel. Destes dízimos dareis a oferta do Senhor ao sacerdote Arão.


Dois pontos que chamam a atenção nestes versículos:

1º) Repete-se que o dízimo é para "os filhos de Israel".

2º) Por três vezes se repete que os levitas não terão qualquer posse na terra. Se aplicarmos isto à atualidade, nenhum líder poderia possuir nem sequer um terrenozinho. Assim, estaria cumprindo o que foi estipulado por Deus na antiga Lei.

Mais interessante ainda é a seguinte passagem:


2Crônicas 31:
4. Além disso ordenou ao povo, aos moradores de Jerusalém, que desse a parte dos sacerdotes e dos levitas, para que pudessem se dedicar à Lei do Senhor.
5. Logo que esta ordem foi promulgada, os filhos de Israel trouxeram em abundância as primícias de trigo, mosto, azeite, mel e todo produto do campo. Trouxeram também em abundância o dízimo de tudo.
6. Os filhos de Israel e de Judá, que habitavam nas cidades de Judá, também trouxeram o dízimo das vacas e das ovelhas, e o dízimo das coisas consagradas ao Senhor seu Deus, e fizeram muitos montões.
7. No terceiro mês começaram a fazer os primeiros montões, e no sétimo mês acabaram.
8. Vindo Ezequias e os príncipes, e vendo aqueles montões, bendisseram ao Senhor e ao seu povo Israel.
9. Perguntou Ezequias aos sacerdotes e aos levitas acerca daqueles montões.
10. E Azarias, o sumo sacerdote da casa de Zadoque, respondeu-lhe: Desde que o povo começou a trazer suas ofertas à casa do Senhor, tem havido o que comer e de que se fartar, e ainda há sobra em abundância, porque o Senhor abençoou ao seu povo, e sobrou esta grande quantidade.
11. Então Ezequias deu ordens para que se preparassem câmaras na casa do Senhor, e as prepararam.
12. Ali recolheram fielmente as ofertas, os dízimos e as coisas consagradas. Conanias, o levita, tinha o cargo disto, e Simei, seu irmão, era o segundo.


Esta passagem nos mostra que quando os ministros de Deus cumprem as ordens que Ele deu, o povo é abençoado e ajuda generosamente. Até Moisés teve que pedir para que não dessem mais, de tanto que se tinha: "Assim o povo foi proibido de trazer mais, porque o material que tinham era suficiente para toda a obra que se devia fazer, e ainda sobrava" (Êxodo 36,3-7). Alguém já ouviu alguma vez algum ministro pedir à sua congregação que deixe de ofertar?

Também o rei Davi deu ao povo a oportunidade de participar com ofertas voluntárias; e houve uma generosa contribuição para o templo de Jerusalém: "O povo se alegrou com as ofertas voluntárias que seus chefes fizeram, pois de coração íntegro deram eles ao Senhor" (1Crônicas 29,9). Como se soubesse que Paulo um dia diria "tudo é vosso, e vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus", Davi exclama: "Mas quem sou eu, e quem é o meu povo, que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Tudo vem de ti, e somente devolvemos o que veio das tuas mãos" (1Crônicas 29,14).

Há muita diferença entre um sacerdote levita e um "levita espiritual", como se autointitulam muitos líderes religiosos. Eis, contudo, as funções dos levitas:


Números 3:
5. Disse o Senhor a Moisés:
6. Faze chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Arão, o sacerdote, para que o sirvam.
7. Cumprirão eles os seus deveres e os de todo o povo, diante da tenda da congregação, para ministrar no tabernáculo.
8. Terão cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação, cumprindo as obrigações dos filhos de Israel, ao ministrarem no tabernáculo.
9. Darás os levitas a Arão e a seus filhos; dentre os filhos de Israel lhes são dados.
10. Mas a Arão e a seus filhos ordenarás que guardem o seu sacerdócio, e o estranho que nele tomar parte será morto.


Entre as funções, então, encontramos: fazer expiação pelo povo, ser oferecidos em oferenda a Javé, lavar-se (aspergir com água, raspar a cabeça, lavar suas vestes). As três espécies de ofertas e sacrifícios que executavam eram a oferta de expiação, a oblação e o holocausto.

Não se encontra [na Bíblia] nem sequer que os profetas pedissem o dízimo para servir em seu ministério, ou que tivessem mais direito que os próprios levitas. Pois bem: que direito tem, então, os chamados "levitas espirituais"? Os cristãos não têm uma classe sacerdotal levítica porque "todos vós sois irmãos", como disse Jesus (Mateus 23,8). O Ministro do Evangelho não deve ser assalariado porque "o mercenário foge porque é mercenário, e não tem cuidado com as ovelhas" (João 10,13).

Todos reconhecem que a Lei cerimonial ditada por Moisés, os ritos e mandamentos cerimoniais, foram revogados por Jesus. Por que o dízimo, que pertence a esta Lei, não teria sido revogado?


"E se o que desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que permanece" (2Coríntios 3,11).

"E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face para que os filhos de Israel não fitassem o fim daquilo que desvanecia" (2Coríntios 3,13).

"Dizendo 'Nova Aliança', ele tornou antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, perto está de desaparecer" (Hebreus 8,13).

"Dizei-me, os que quereis estar debaixo da Lei: não ouvis vós a Lei? Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, e outro da livre. Todavia, o que era da escrava, nasceu segundo a carne; mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria, pois estas mulheres são as duas alianças. Uma aliança é do monte Sinai, gerando filhos para a escravidão, que é Hagar. Ora, esta Hagar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém atual, porque é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém que é de cima é livre, a qual é mãe de todos nós" (Gálatas 4,21-26).


Concretamente, a Antiga Aliança era entre o Povo de Israel e Javé, que os abençoaria se guardassem sua parte do pacto; caso contrário, lhes amaldiçoaria. Era tudo ou nada. Ninguém podia mudar essa convenção, elegendo e fazendo o que quisesse: "Pois qualquer que guardar toda a Lei, mas tropeçar em um só ponto, torna-se culpado de todos" (Tiago 2,10). Quem quiser impor o dízimo da Lei Mosaica aos outros também terá que apedrejar sua filha ou filho rebelde: "Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos, então seu pai e sua mãe pegarão nele, e o levarão aos anciãos da sua cidade, e à porta do seu lugar; E dirão aos anciãos da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão. Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e todo o Israel ouvirá e temerá" (Deuteronômio 21,18-21). Levítico e Números estão cheios de preceitos aos quais a maioria de nós, cristãos, não gostaríamos de nos sujeitar. (...) Se o esposo de uma mulher morresse sem deixar filhos, seu cunhado deveria gerar-lhe filhos. E insiste-se: "Pois qualquer que guardar toda a Lei, mas tropeçar em um só ponto, torna-se culpado de todos" (Tiago 2,10).

Prestemos atenção ao que nos diz Paulo: "Porque a Lei do espírito de vida em Cristo Jesus livrou-me da lei do pecado e da morte" (Romanos 8,2). Um pacto acarreta a morte; o outro sempre traz vida. Leia o que diz Paulo sobre os Dez Mandamentos em 2Coríntios 3,4-18.

Notemos um coisa muito importante: em toda a Bíblia se observa que o dízimo era dado pelos proprietários das terras e dos animais; e era disto o que se recebia como dízimo. Os servos e os operários não pagavam dízimo, já que eles recebiam remuneração em dinheiro, do qual nada davam. Também quando se percorriam longas distâncias e não se podia levar o dízimo em espécies, por comodidade se vendia tudo, carregava-se o dinheiro e então se compravam [as espécies] no lugar; e até podia-se dispor de algumas coisas conforme ditasse o coração: "E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher o SENHOR teu Deus para ali pôr o seu nome, quando o SENHOR teu Deus te tiver abençoado; Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o SENHOR teu Deus; E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa" (Deuteronômio 14,24-26).

No Novo Testamento, o relativo ao dízimo quase não aparece.

Em Lucas 11,42, Jesus repreende os fariseus hipócritas e lhes diz: "Mas ai de vós fariseus, que dizimais a hortelã, a arruda e todas as hortaliças, e desprezais o juízo e o amor de Deus". Jesus está repreendendo os fariseus (que eram israelitas e não cristãos), para reprovar-lhes sua hipocrisia de se preocuparem mais com o dízimo do que pela justiça e amor de Deus. Os fariseus cumpriam a Lei na máxima minúcia até nas coisas pequenas, porém a quebravam quando se tratava de exigências importantes. Exteriormente se mostravam irrepreensíveis, porém, interiormente, estavam muito distantes de cumprir verdadeiramente a Lei. Os fariseus davam o dízimo "da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças", que não eram grãos nem frutos das árvores mencionadas por Levítico 27,30; eram, porém, ervas usadas como espécies aromáticas.

Os fariseus buscavam a aprovação das pessoas devotas e evitar escândalos, porém seu interior era sujo. A estes era aplicada a reprimenda que Jesus dirigiu aos seus discípulos: "Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, pois assim faziam seus pais aos falsos profetas" (Lucas 6,26).

Na passagem paralela de Mateus, Jesus diz a estes fariseus hipócritas: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas negligenciais o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Devíeis, porém, fazer estas coisas sem omitir aquelas" (Mateus 23,23). Isto é, sem deixar de fazer a justiça, a misericórdia e a fé, porque eles se preocupavam apenas com o material: o dízimo. O ensinamento de Cristo nesta passagem é claro: ante este esmero para coisas tão mínimas, dever-se-ia dar um passo mais forte para as coisas fundamentais. Porém, não era assim entre os fariseus; faziam estas coisas "para serem notados pelos homens" (Mateus 23,5). A prática do dízimo era, portanto, pura hipocrisia. Jesus menciona o dízimo aqui para revelar a hipocrisia dos escribas e fariseus (judeus que, todavia, viviam sob a Lei e eram obrigados a dar o dízimo). O Senhor não pede para que os fariseus dêem o dízimo; isto já estavam fazendo! Chama-lhes "hipócritas" porque só fazem isto e esquecem-se do mais importante. Se você dá o dízimo e esquece o que é mais importante para o Senhor, será igualzinho àqueles fariseus a quem o Senhor chama de "hipócritas".

No tocante à misericórdia, Jesus nos ensinou: "'Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos assaltantes?' Ele disse: 'O que usou de misericórdia para com ele'. Disse Jesus: 'Vai e faze da mesma maneira'" (Lucas 10,36-37).

Assim, você deve se perguntar: É um ato de misericórdia dar 10% do seu salário a alguém que possui mais do que você?. Não seria injusto dar a quem tem mais e negar a quem realmente necessita? Muitos cristãos crêem que, porque dão o dízimo e se congregam em sua igreja, já cumpriram os mandamentos de Deus. Crêem que porque cumpriram isto Deus irá abençoá-los. Crêem assim porque foram condicionados a pensar assim. O problema que enfrentam estas pessoas é que são guiadas por líderes cegos: "Condutores cegos, que coais um mosquito e engolis um camelo!" (Mateus 23,24). Deve-se ter muito cuidado e discernir, pois Jesus disse: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito e depois de o terdes feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!" (Mateus 23,15).

A Lei do dízimo do Antigo Testamento deixou de existir quando Cristo morreu na cruz e não antes: "Havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, tirou-o do meio de nós, cravando-o na cruz" (Colossenses 2,14). E: "Cristo nos libertou para que sejamos de fato livres. Estai, pois, firmes e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da escravidão" (Gálatas 5,1; v.tb. Tiago 1,25; 2,12; 2Coríntios 3,17). O Novo Testamento não tinha validade enquanto Cristo estava vivo, mas entrou em vigor quando derramou seu sangue na cruz: "E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?" (Hebreus 9,15-17).

Em Hebreus 7,5, torna-se a assinalar que o dízimo era da Lei. Diz textualmente "segundo a Lei": "E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a Lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão". O dízimo era um preceito estabelecido na Lei. Neste mesmo capítulo 7 de Hebreus, indica-se também, com muita precisão, que agora, na graça, não existem sacerdotes levitas porque houve uma mudança de sacerdócio e de lei: "Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei" (Hebreus 7,12).

Alguns distorcem Hebreus 7,8 ["E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive."] para apontar que os "homens que morrem" são os ministros de Cristo que recebem dízimos ou que o "ali, porém" se refere a Cristo (ali = no céu) que hoje recebe dízimos. Porém, ao estudar o contexto, é óbvio que nada tem a ver os dízimos para os ministros [do Evangelho] ou para Cristo. Os versículos 5 e 9 dizem que os que têm ordem para tomar os dízimos são os filhos de Levi. Estes são os "homens que morrem" do versículo 8, não os ministros cristãos. A lei do dízimo era débil e ineficiente (Hebreus 7,18) e a Nova Aliança, com sua oferta voluntária, anulou o dízimo e o destinou ao desaparecimento: "Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar" (Hebreus 8,13; 10,9). Por que retomar uma lei inferior, pela qual Cristo morreu para retirá-la? Atentemos que quando foi escrita a Epístola aos Hebreus, o Templo [de Jerusalém] ainda estava de pé e [os judeus] continuavam cumprindo o que estipulava a Lei; se se referisse aos pregadores da Igreja, o texto não se harmonizaria!

Muitos dirão, porém, que Jesus disse: "Não pensei que vim para abolir a Lei ou os profetas; não vim para abolir, mas para cumprir" (Mateus 5,17). Entretanto, Jesus aqui se refere à sua própria pessoa. Ele sim cumpriu toda a Lei como nenhum ser humano jamais cumpriu. E quando diz: "Qualquer que violar um destes mais pequenos mandamentos, e assim ensinar os homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus" (Mateus 5,19), claramente se refere aos Dez Mandamentos, como bem dá a entender os versículos anteriores. Logo, Jesus ensina que toda a Lei e os Profetas dependem destes dois grandes mandamentos: "Amarás o Senhor, teu Deus, com todo teu coração e com toda tua mente" e "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22,37-40).

A obrigação de dar o dízimo, sempre foi para os judeus, para os que estão sob a Lei. A única vez que se menciona o dízimo fora da Lei - e foi uma vez apenas - foi quando Abrão deu o dízimo de sua vitória sobre os reis que haviam levado seu sobrinho Lot como prisioneiro. E o deu apenas uma vez - não foi um pagamento mensal - já que se diz que "deu" nessa oportunidade o dízimo; nunca diz, jamais, que "pagou o dízimo". Fica muito claro que estes bens ou despojos não eram de Abrão, mas de reis que havia derrotado; não foi fruto do seu trabalho, nem das suas terras. Deve-se atentar também que, por fim, Abrão não ficou com nada; deu tudo a Melquisedec ("Jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão", cf. Gênese 14,23) e foi a única vez que deu algo; não se menciona em nenhuma outra passagem que continuou dando nem o dízimo, nem nenhuma outra contribuição. Deve-se observar também que não existe nenhuma disposição na Bíblia autorizando que alguém venha a tomar o lugar de Melquisedec para exigir dízimos.


Gênese 14:
17. E o rei de Sodoma saiu-lhe ao encontro (depois que voltou de ferir a Quedorlaomer e aos reis que estavam com ele) até ao Vale de Savé, que é o vale do rei.
18. E Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo.
19. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra;
20. E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.


Cabe ressaltar aqui 4 coisas:


1. Sabe-se que os cultos pagãos da antigüidade na Índia, China, Grécia e Roma praticavam o dízimo para sua sustentação, porém sem forçar seus fiéis a dá-lo. Nas batalhas, os vencedores costumavam a entregar o dízimo dos despojos aos sacerdotes dos deuses em agradecimento a estes deuses, por terem tornado possível a vitória. Por exemplo: na Grécia, no templo de Zeus se encontra uma inscrição, junto de uma Medusa, que diz assim: "O templo tem um escudo de ouro, e de Tanagra os lacedemônios e seus aliados o ofertaram, um presente de argivos, atenienses e jônios: o dízimo pela vitória na guerra"[1]. Vemos, assim, que era uma prática comum entre os vencedores das batalhas de guerreiros, que não conheciam nada além de deuses pagãos. Reparemos que, nesse momento, Abrão ainda não conhecia a Deus.

2. Não é Abrão que vai entregar o dízimo ao sacerdote Melquisedec, como se quisesse dá-lo, mas é Melquisedec que "saiu" ao encontro de Abrão. Mas também não saiu para cobrar o dízimo, mas para abençoá-lo.

3. Em toda a Bíblia, especialmente do Gênese até Hebreus, é apenas nesta única oportunidade que se diz que Abrão entregou o dízimo. Reparemos que Abraão viveu 175 anos, mas nunca mais se registrou que permanecesse dando [o dízimo].

4. O dízimo de Abrão não é usado como exemplo em nenhum lugar da Bíblia para apoiar o dízimo.


Hebreus 7,2 diz que Abraão deu "os dízimos de tudo" a Melquisedec, porém Gênese 13,2 diz: "E era Abrão muito rico em gado, em prata e em ouro". Porém - que surpresa! - de toda esta grande riqueza, Abraão não deu a Melquisedec um só pêlo de seu gado, nem um só pedacinho de sua prata e ouro. Deu apenas os "dízimos dos despojos" (cf. Hebreus 7,4). Este pequeno e único detalhe basta para alterar todo o panorama.

Também devemos notar que Jacó, o neto de Abraão, voluntariamente fez um voto especial de dar o dízimo sob certas condições. Isto prova que eles não estavam acostumados a dar o dízimo (Gênese 28,22) e tampouco foi registrado se Jacó cumpriu ou não a sua promessa, já que talvez tenha se perguntado: "A quem devo dar? Onde? E para quê?", não tendo encontrado uma resposta razoável. Talvez por isso não tenha sido registrado o cumprimento da sua promessa.

Estas são as únicas passagens em todo o Novo Testamento em que se menciona o dízimo. E foram basicamente para repreender os fariseus por sua hipocrisia e para recordar Abraão quando em certa ocasião "deu" o dízimo. Contudo, nunca se pediu a nenhum cristão que se pagasse o dízimo. No Sermão da Montanha, onde Jesus ratificou as verdadeiras exigências da Lei, não fez nenhuma menção ao dízimo. Jesus teria se esquecido desse detalhe tão importante, se fosse uma obrigação para o cristão? Não parece estranho que não seja mencionado nem uma única vez em todo o Novo Testamento? Então por que as igrejas exigem o dízimo?

O dinheiro não tem qualquer poder ou benefício para as bênçãos ou dons de Deus: "Então Pedro lhe disse: 'Teu dinheiro pereça contigo, porque pensaste que o dom de Deus se obtém com dinheiro'" (Atos 8,20). E quantos hoje em dia dão dinheiro não por caridade mais por interesse, para que tenham uma boa vida (para conseguir saúde, obter um emprego, resolver um problema familiar ou até amoroso)!

O dízimo foi uma prática divina para sustentar os sacerdotes levitas e devia ser entregue em espécies, jamais em dinheiro. Os judeus deviam cumprí-lo primeiramente para depois receber a bênção. As bênçãos que recebiam os judeus por primeiramente cumprirem com esta disposição eram coisas materiais: "E virá sobre ti estas bênçãos: (...) mais terras, mais animais, mais frutos, mais filhos, mais servos" (Deuteronômio 28,2). Diferentemente disto, agora não existe o dízimo nem a promessa de que receberemos maior prosperidade terrestre; muito pelo contrário, agora não nos é pedido que juntemos tesouros aqui na terra, mas no céu. Os primeiros cristãos deram todos os seus bens para repartí-los entre a igreja (=comunidade), contudo nenhum deles chegou a ser rico.

Se alguém diz que você deve pagar o dízimo, você não estaria dando livremente o que foi proposto pelo seu coração, mas seria isto uma imposição.

Vejamos outras passagens: "Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho" (1Coríntios 9,13-14). Muitos interpretam o "assim ordenou também" no sentido de que o dízimo deve ser usado para pagar o ministro do evangelho. Paulo explicou que o operário é digno de seu salário. Ele, porém, diferencia o operário do templo, que obtém seu alimento do altar (ou seja, como o levita, que tinha esta função como cargo), e o pregador do evangelho, que vive do Evangelho (tal como o profeta, que nunca viveu do dízimo - e acredito que tinha muito mais direito que qualquer líder cristão!). O dízimo não é mencionado como meio de pagamento, nem se diz que o ministro do evangelho deve obter seu sustento do altar. Além disto, basta ler o v. 12, onde Paulo não diz que a congregação deve sustentá-lo, preferindo sustentar-se por conta própria.

Ademais, que o "Assim ordenou também" faz referência aos levitas citados no v.13 e que este levitas receberam o dízimo do Povo de Israel, de modo que os ministros do evangelho TAMBÉM devam receber os dízimo do novo Povo de Deus (os cristãos), não é um silogismo[2] válido. Primeiro porque, ao se interpretar isto literalmente, as [modernas] mulheres ministras não gozariam de tal privilégio como assinala Paulo: "Todo varão entre os sacerdotes o comerá" e deveriam consumí-lo dentro do edifício em que congregam. Se a idéia dos dízimos por parte dos levitas se equipara igualmente por parte dos ministros do evangelho, por analogia estes ministros ficariam impedidos de ser proprietários até de um único metro quadrado de terra! Ah! E teriam ainda que cumprir o requisito da circuncisão! Em suma, os versículos 12 e 18 nos dizem: "não colocar nenhum obstáculo ao Evangelho de Cristo", "não abusar de meu direito no Evangelho".

E se aplicássemos os versículos 13 e 14 aos operários do evangelho, eles teriam que se alimentar da forma como registra a Bíblia.


Levítico 7:
1. E esta é a lei da expiação da culpa; coisa santíssima é.
2. No lugar onde degolam o holocausto, degolarão a oferta pela expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor.
3. E dela se oferecerá toda a sua gordura; a cauda, e a gordura que cobre a fressura.
4. Também ambos os rins, e a gordura que neles há, que está junto aos lombos, e o redenho sobre o fígado, com os rins se tirará;
5. E o sacerdote os queimará sobre o altar em oferta queimada ao SENHOR; expiação da culpa é.
6. Todo o varão entre os sacerdotes a comerá; no lugar santo se comerá; coisa santíssima é.


Não creio que algum ministro do evangelho obedeça isto, especialmente se for vegetariano. Então como devem ser sustentados os operários do evangelho? "Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário" (1Timóteo 5,17-18). Se Paulo estivesse dizendo aos cristãos (judeus e gentios recém-convertidos) que dessem seus dízimos para os operários do evangelhos ao invés de darem aos levitas, os judeus teriam declarado guerra aberta a Paulo.

Que nunca, assim, ninguém trate você como "maldito" por não dar o dízimo, já que "todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3,10), sabendo que para o homem isto é impossível "porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos" (Tiago 2,10).

Seria bom refletir sobre as seguintes passagens e perguntar se você é cristão ou fariseu:


- A Lei foi dada à nação de Israel (Romanos 9,4);
- A graça foi dada a toda a humanidade (Romanos 10,12-13).

- A Lei: faça isto e viverás por isto (Deuteronômio 27,26);
- A graça: crê e serás salvo (Atos 16,31).

- Se não guardas a Lei, és maldito (Gálatas 3,10b);
- Cristo nos redime da maldição (Gálatas 3,13).

- Sob a Lei, vives pelas obras (Gálatas 3,12);
- Sob a graça, vives pela fé (2Coríntios 5,7).

- Na Lei, estás sob maldição (Gálatas 3,10a);
- Na graça, sois bendito com toda bênção espiritual (Efésios 1,3).

- Sob a Lei, devias ir à casa de Deus (o templo) com teus dízimos e ofertas (Malaquias 3,10);
- Sob a graça não existe templo para onde possas levar teus dízimos, mas cada fiel faz parte da casa de Deus (1Coríntios 6,19; Efésios 2,21-2; 1Timóteo 3,15 etc.).


Guardar a Lei é algo que ofende a Deus porque as obras da Lei são obras mortas (Hebreus 6,1), isto é, obras meramente cerimoniais.

Então como se financia a Igreja, se não pode ser com o dízimo? Paulo diz: "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza [por obrigação], ou por necessidade [p.ex.: para ser curado ou para obter outro favor]; porque Deus ama ao que dá com alegria" (2Coríntios 9,7; v.tb. 2Coríntio 8,1-12). Em 1Coríntios 16,2, acrescenta: "No primeiro dia da semana [domingo] cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade". Os recursos arrecadados podem ser usados para socorrer os necessitados ("Porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazerem uma coleta para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém", cf. Romanos 15,26) e para suprir as necessidades dos ministros do reino (cf. Filipenses 4,10-20).

Recordemos ainda que os primeiros cristãos tinham a obrigação de dar hospedagem aos ministros da Palavra: "Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos, e para com os estranhos, que em presença da igreja testificaram do teu amor; aos quais, se conduzires como é digno para com Deus, bem farás; porque pelo seu Nome saíram, nada tomando dos gentios. Portanto, aos tais devemos receber, para que sejamos cooperadores da verdade" (3João 1,5-8; v.tb. Atos 6,14-15; 18,1-3.7). Ademais, quando Cristo enviou os Doze e, depois, os Setenta, não lhes ensinou a cobrar o dízimo, mas a ficar com os justos e comer o que lhes fosse dado (Mateus 10,5-15; Lucas 10,1-12).

Muitos que lêem isto agora mesmo, provavelmente se assombrarão do pouco que conheciam acerca do dízimo nas Sagradas Escrituras. Agora já sabe. Agora já responde pelo que sabe.

Em resumo, até aqui:


1. O dízimo foi ordenado por Deus e deveria ser entregue em produtos aos sacerdotes levitas, jamais em dinheiro, porque estes não podiam possuir propriedade e também para que não houvesse corrupção.

2. O dízimo "era" da Lei (Mateus 23,23), "segundo a Lei" (Hebreus 7,5).

3. Na graça devemos ofertar todos os domingos, livremente, como cada um propôs em seu próprio coração, sem que a sua mão esquerda saiba o que deu a sua direita.


O verdadeiro Cristianismo se baseia no que Deus disse, jamais no que Ele não disse. Hoje, muitos dizem: "Mostre-me um versículo da Bíblia que proíba cobrar o dízimo"; porém, isto seria o mesmo que um drogado tentar se justificar, dizendo que não existe na Bíblia nenhum versículo proibindo o uso da maconha.

Aprendamos a ofertar livremente e por amor, sem esperar nada em troca. Façamos isto sem que a mão esquerda saiba o que deu a direita. Não devemos esperar nada em troca, porque não é possível "comprar" o favor de Deus. Não podemos manipular Deus, muito menos com dinheiro. É até possível dar o mesmo que o dízimo ou até mais, porém, a grande diferença está no fato de que não será um encargo imposto; então sim, poderá advir recompensas da parte de Deus. Não se engane pensando que o dízimo que você dá hoje é uma oferta ao Senhor, porque você apenas estaria participando de um mandamento imposto por homens. Lembre-se que o que foi disposto pelo Senhor à Igreja foi a oferta e não o dízimo, que era da Lei.

Não seja cúmplice de algo que não foi ordenado pelo Senhor, porque você deverá prestar constas um dia de como gastou o que o Senhor lhe confiou.


2Pedro:
1. E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
2. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
3. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.


[Outra coisa interessante:] Os judeus atuais não dão o dízimo.

Os rabinos judeus, que teoricamente conhecem e sabem aplicar muito melhor a Lei Mosaica, não cobram dízimos porque eles sabem que apenas os levitas podem cobrar o dízimo. Por causa da destruição dos arquivos genealógicos na destruição do Templo, no ano 70 d.C., não são mais capazes de identificar os verdadeiros levitas. Com efeito, fazem uso de um sistema diferente para se sustentarem economicamente, cobrando certa quantia de dólares por cada assento em suas sinagogas e, assim, dar manutenção e sustento econômico. E então? Poderia algum líder [cristão] provar que é descendente direto de Arão para ter o direito de pedir o dízimo (ainda mais para pedir em dinheiro e não em espécies)?

Por isso, apresento, a seguir, comentários sobre o dízimo feitos por judeus:


- "O mandamento do dízimo não é obrigatório atualmente, pois não contamos mais com o Templo de Jerusalém, e o dízimo é um dos preceitos que, para ser cumprido como o Senhor mandou, é imprescindível sua existência e funcionamento".

- "O separar o dízimo (10% da arrecadação bruta anual) e entregá-lo com caridade é um mandamento que o Senhor ditou exclusivamente para os membros da nação judaica, nos tempos em que o Templo estava em funcionamento".


SOBRE A ESMOLA

A esmola era muito praticada pelos fiéis, os quais temiam a Deus e eram bastante generosos: "Havia em Jope uma discípula chamada Tabita, que quer dizer Dorcas. Era rica em boas obras e esmolas que praticava" (Atos 9,36). E: "Piedoso e temente a Deus, como toda sua família, dava muitas esmolas ao povo e continuamente orava a Deus" (Atos 10,2).

A esmola era, com o jejum e a oração, um dos pilares da vida religiosa, segundo nos ensinou Jesus (Mateus 6,1-18). Vemos que Jesus pede que: "Quando deres tua esmola, não saiba a tua [mão] esquerda o que fez a tua direita, para que tua esmola seja em segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará publicamente" (Mateus 6,3-4). Nestes versículos sim, receberemos bênção se aplicarmos o que Jesus nos ensinou: dando esmola, sem interesse algum. "E serás bem-aventurado, porque eles não podem te recompensar; mas serás recompensado na ressurreição dos justos" (Lucas 14,14).

Com Cristo nunca houve dízimo sem esmola e muita caridade: "Então Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: 'Eis aqui, Senhor, a metade dos meus bens que dou aos pobres; e se cometi fraude contra alguém, devolverei quadruplicado'" (Lucas 19,8). Atente que você é cristão, seguidor de Cristo, não de Moisés. E embora seja muito mais difícil seguir a Cristo, ou melhor dizendo, cumprir seus mandamentos, devemos fazê-lo: "Porque sempre tereis pobres convosco" (Mateus 26,11). E ninguém se despoja de tudo para entregá-lo: "Todos os que tinham crido estavam juntos e tinham em comum todas as coisas" (Atos 2,44).

Repassemos outras passagens para ver o que foi que Jesus nos mandou fazer com nosso dinheiro: "Porém, dai esmola daquilo que tens, e então tudo vos será limpo" (Lucas 11,41). "Vendei o que possuís e dai esmola; fazei para vós bolsas que não se envelheçam, tesouro nos céus que não se esgote, onde o ladrão não chega, nem a traça corrói" (Lucas 12,33). "Jesus, ouvindo isto, lhe disse: 'Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens e dai aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me" (Lucas 18,22). Assim agiu Jesus que, "sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer com sua pobreza" (2Coríntios 8,9).

Por Farid Herrera Corrales

Tradução: Carlos Martins Nabeto
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Pregação, louvor e oferta

Temos afirmado nas pregações, que é pecado grave usar as Escrituras Sagradas para fins que não sejam espirituais. Não são poucos os que se desviaram do caminho e passaram a viver da igreja e não para a igreja. A Palavra de Deus é claríssima, quando diz que aquele que ensinar as coisas erradas às pessoas simples e pequeninas, melhor seria que pendurasse uma pedra no pescoço e se atirasse ao mar. Exagero? Não, certamente. Instruir alguém nos caminhos do engano é conspirar contra o ministério de Cristo. As Escrituras devem ser o manual de instrução. Ela diz o que devemos ou não fazer. E, se ela aponta num rumo, melhor segui-lo, mesmo que isso contrarie nossos interesses. É preferível perder todas as coisas do mundo e ganharmos as coisas da vida eterna.

Paulo em sua I Carta dos Coríntios, ao tratar do dom de línguas, disse que não poderíamos de maneira alguma, parecermos loucos aos estranhos que porventura entrassem na igreja e nos encontrasse emitindo sons ininteligíveis. Quis nos dizer, que no culto e em todas as coisas, devemos parecer pessoas normais. De outro modo, não conseguiremos inspirar confiança. O crente deve espelhar em si o Espírito de Cristo, servindo de exemplo vivo a todos os que vierem conhecê-lo. Do contrário, estaremos conspirando contra o Senhor. Ora, a regra vale também para os cultos. Atualmente, ao passarmos na frente de uma igreja evangélica em culto, nem sempre colhemos impressões agradáveis. A maioria parece ter se tornado uma casa de canto e balbúrdia. São sons emitidos por instrumentos de toda ordem: guitarras, baterias, violões; é uma cantoria sem fim. E o povo ao ir à igreja, em vez de se beneficiar com a pregação da Palavra que repreende, esclarece e conforta, envolve-se com os louvores, num frenesi tresloucado, que mais atende aos apelos do corpo, do que os da alma.

É muito triste o que se vê nas igrejas evangélicas. Martinho Lutero, em suas Obras Selecionadas, disse que havia uma preocupação com a liberdade trazida pela Reforma: a das igrejas se multiplicarem de tal maneira a perderem a unidade. Infelizmente foi o que aconteceu. A ausência de diretrizes e modelos que pudessem orientar os pastores e os próprios cultos levou as igrejas a um estado de confusão. Dias atrás assistia um culto pela televisão e vi um conhecido pastor dizer que o culto iria começar e com muito barulho. Fazia graça, afirmando que pentecostal que não é barulhento, veio com defeito de fábrica. Incrível, mas é verdade. Isso vai pelo Brasil afora e, evidentemente, não têm graça nenhuma. Não há no Novo Testamento nada que instrua este tipo de conduta, nem nele, nem no bom senso geral das pessoas. E tome louvores e todo mundo de pé, com as mãozinhas pra lá e pra cá, como se estivessem num “show” de música profana. Perguntaria Paulo: “que laços têm a luz com a escuridão?”.

Outro cenário dispensável é a parada obrigatória do culto, para pedir dinheiro, dízimos e ofertas. É constrangedor. Isso para não falar das loucas arremetidas do diabo, que faz pastores desavisados lançarem desafios a Deus; prova de renúncia (onde o sujeito vende o que têm e dá para a igreja) e outras invencionices mais. Como na igreja primitiva se falava da venda de bens pessoais para que doados à igreja se tornassem comuns, argumentos não faltam. Está na Palavra, dizem. Mas ninguém fala a respeito de se repartir o que foi arrecadado com os necessitados, membros da própria igreja. Era o que acontecia na igreja apostólica conforme o livro de Atos. Claro, o espírito não é o mesmo. Há uma intenção oculta por detrás dessas práticas. A Palavra e a história bíblica são usadas apenas para sustentar o desejo insano de se amealhar mais e mais, para fins não muito éticos. Não se deve ofertar, pagar dízimos ou colaborar com a igreja? Não estamos dizendo tal coisa. Mas é preciso usar de critérios e bom senso, para se lidar com os recursos arrecadados. A igreja de Cristo deve funcionar como uma comunidade de irmãos. E, os que têm mais, devem colaborar com a igreja de acordo com suas posses, quer dizer, semeando mais. Mas, a igreja deve ajudar os que têm menos ou nada têm. No ponto de vista da Bíblia, os recursos arrecadados têm a finalidade de pagar as despesas do templo e de ajudar irmãos necessitados. Nada mais.

Os pastores nem sempre tem formação para administrarem igrejas. Muitas são abertas somente pelo toque do Espírito, na boa-vontade, digamos. No entanto, boa-vontade não é tudo. Se de alguma maneira fomos transformados em pastores e estamos à frente de uma igreja do Senhor, nunca deixemos nos levar pela estúpida idéia de que não temos o que mudar. Temos sim e, se amamos a Jesus, devemos fazer o que for preciso para melhorar a organização da igreja. As divisões foram tantas, que levaram o movimento evangélico a um verdadeiro caos, exceção para as tradicionais casas protestantes. Mas, na confusão das “não oficiais”, temos muitos homens bons, inspirados pelo Espírito Santo, que precisam cumprir sua missão. E, se temos necessidade de mudar, porque não fazê-lo? É necessário coragem para pôr ordem na casa de Deus. Esta obra pode não interessar aos homens, mas ao Senhor, com certeza interessa e muito.

Igreja com pregação, louvor e oferta. Por que não? Todas essas coisas são necessárias para a vida dos crentes. Mas consideremos que a Palavra está acima de qualquer interesse relacionado com louvor e oferta. Louvamos mais para agradar a nós mesmos, dizendo a Deus que estamos felizes por Ele ter enviado seu Filho para nos salvar. Salvar-nos do buraco onde nós mesmos, pela nossa teimosia, nos enfiamos. Não pensemos que Deus procura quem cante para Ele, como se precisasse de agrados e apupos. O Senhor deseja um coração sincero e amor vivido em espírito e verdade: cantemos ao Senhor, mas com os corações cheios de misericórdia, de arrependimento, desejo de vida nova e amor ao próximo. O canto sobe da terra para o céu e nada mais pode fazer do que levar ao Pai a nossa mensagem de gratidão. A pregação não! Ela desce do céu para a terra nos repreendendo pelos pecados, clamando que deixemos Cristo nos salvar, pois não há outro. A pregação vem de cima para baixo; oferta e louvor vão de baixo para cima. A pregação é santa; o louvor e a oferta, sempre são marcados pelos corações impuros dos homens e desejos mais ou menos terrenos. Essa é a grande diferença entre pregar, louvar e ofertar. E isso estabelece prioridade e ordem a ser seguida no culto.

Organizemos a igreja. O culto precisa dar ênfase à pregação e ela não deve estar embotada; não deve ser atrapalhada pelo pedir de ofertas, nem pelo louvor. A pregação dever ser acompanhada pela leitura das Escrituras, pois a alma do crente está sendo instruída, nada mais nada menos pelo Espírito Santo. Como vamos atrapalhar este ato de iluminação, parando para pedir dinheiro ou para cantar? É evidente que a atenção e o aprendizado serão prejudicados. Pregue-se primeiro, louve-se e cuide-se das ofertas depois. Se possível que as ofertas sejam feitas fora do culto; para que não pareça que a igreja tem a incumbência indispensável de arrecadar, o que não é verdade. Se a igreja constituir-se como comunidade de membros definidos, cada um saberá de suas obrigações financeiras e um eficiente secretário, poderá providenciar o recebimento das ofertas, dízimos ou sejam lá os nomes que se dê a tais doações. Tudo deve ser contabilizado; as contas devem ser transparentes, para que os membros saibam o que se faz com os recursos da comunidade. Os recursos não são do pastor, nem de nenhuma organização mãe (como se faz muito no Brasil). Os recursos são da comunidade, dos irmãos, para o bem de todos e das obras de Deus, a serem realizadas pela igreja. Este é o caminho e todo o crente, seja pastor ou não, será cobrado por ter cuidado ou não, dos talentos que Deus depositou em suas mãos. E, tenham a certeza de que os talentos de que fala o Evangelho, as traças não corroem nem os ladrões roubam.

A Palavra de Deus

Os "Dízimos" não são para as Igrejas de Cristo.

2 Coríntios 9

6

¶ E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará.

7

Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.

8

E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;

9

Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre.

10

Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça;

11

Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus.

12

Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus.



Vejam referente ao versículo 06, a pergunta é:

Pode haver pouco ou muito em 10%?

É claro que não e esta é a prova real que não há recomendação para a pratica do dízimo nas igrejas Cristãs.

E neste mesmo versículo confirmamaos que pode-se dar muito mais que 10%, e há também a indicação que devemos contribuir, porém nunca como obrigatoriedade de pagamentos mensais ou anuais, e sim conforme o entendimento de valores e períodos segundo o coração de cada um.



Você Sabia?

O Dízimo era uma ordenança bíblica para os Judeus:

Deuteronômio 12:6

E ali trareis os vossos holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas.

Deuteronômio 14:23

E, perante o SENHOR teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao SENHOR teu Deus todos os dias.

A época de pagar os dízimos e para que serviam:

Deuteronômio 14:28

Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua colheita no mesmo ano, e os recolherás dentro das tuas portas;

Deuteronômio 26:12

¶ Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita no ano terceiro, que é o ano dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem;




Os dízimos duraram até o início da Nova Aliança que é Jesus Cristo:

Hebreus 7:9

E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos.


28

Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.




As Ordenanças, inclusive o Dízimo, não são recomendadas para os Salvos:

Atos dos Apóstolos 15

5

Alguns, porém, da seita dos fariseus, que tinham crido, se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.

6

¶ Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto.

7

E, havendo grande contenda, levantou-se Pedro e disse-lhes: Homens irmãos, bem sabeis que já há muito tempo Deus me elegeu dentre nós, para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho, e cressem.

8

E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós;

9

E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé.

10

Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?


19

Por isso julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus.


24

Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento,


28

Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:

29

Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá.




Amados está claro, provado biblicamente, que a pratica das ordenanças, entre elas , o Dízimo, faziam parte da 'Lei" dada exclusivamente ao povo judeu.

Portanto se você não é Judeu é melhor que fique debaixo da Graça e não debaixo desta lei.. pois o aperfeiçoamento da lei se chama Jesus Cristo que veio para te libertar e não escravizar.

É importante lembrar que é importante que contribuir com as Igrejas de Cristo é uma recomendação bíblica, agora o quanto fica a critério do coração de cada um.

Deus abençoe á todos.


Fabiano de Sousa
Igreja online

http://www.igrejavidanova.org/